topo

Nise da Silveira - Pioneira na pesquisa das relações afetivas
entre pacientes e animais.

Nise da Silveira nasceu em 1906, em Maceió, Alagoas. Formada pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, dedicou-se à psiquiatria sem nunca aceitar as formas agressivas de tratamento da época, tais como a internação, os eletrochoques, a insulinoterapia e a lobotomia.

Presa como comunista, é afastada do Serviço Público de 1936 a 1944. Anistiada, cria em 1946 a Seção de Terapêutica Ocupacional no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, posteriormente conhecido como Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII).

Quando Nise da Silveira criou a Seção de Terapeutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio, em 1946, os maiores avanços da psiquiatria mundial eram a lobotomia e o eletrochoque. A lobotomia é um primor de violência: uma cirurgia onde se mutila o cérebro de uma pessoa, transformando-a pra sempre num vegetal. O eletrochoque não fica atrás: ser amarrado em uma cama de hospital e levar choques é humilhação e tortura. Quem viu os filmes "Um Estranho no Ninho", de Milos Forman, ou "Bicho de Sete Cabeças", de Laís Bodansky, com Jack Nicholson [ninho] e Rodrigo Santoro [bicho], sabe do que se trata [e se não sabe deveria saber].

Em 1952, funda o Museu de Imagens do Inconsciente, um centro de estudo e de pesquisa que reúne obras produzidas nos ateliês de pintura e modelagem. Por meio deste trabalho, introduz a psicologia junguiana no Brasil.

Alguns anos mais tarde, em 1956, mobilizando um grupo de pessoas motivadas pelas mesmas idéias, Nise realiza mais um projeto revolucionário para a época: a criação da Casa das Palmeiras, uma clínica destinada ao tratamento de egressos de instituições psiquiátricas, onde atividades expressivas são realizadas livremente, em regime de externato.

A doutora Nise, baixinha, magrinha e valente, comprou a briga com a direção do hospital e se recusou a usar os tais "métodos tradicionais". Desenvolveu um método próprio de tratar a esquizofrenia. Ofereceu aos infelizes esquecidos em jaulas uma vida nova onde eram tratados com afeto e podiam criar e expressar o que sentiam. No lugar da violência, a criatividade: pincéis, tinta, telas, cerâmica. Nise lia nas pinturas e esculturas de seus pacientes [que preferia chamar de amigos] o que eles não conseguiam expressar numa linguagem articulada. Seguiu o conselho de Jung, seu mestre: estudou mitologia e alquimia para compreender a linguagem do inconsciente e o universo em que viviam os esquizofrênicos.

Foi responsável pela formação do Grupo de Estudos C.G. Jung, do qual foi presidente desde 1968. Suas pesquisas deram origem, ao longo dos anos, a exposições, filmes, documentários, audiovisuais, simpósios, publicações, conferências e cursos sobre terapêutica ocupacional, com destaque para a importância das imagens do esquizofrênico.

Foi também pioneira na pesquisa das relações afetivas entre pacientes e animais, aos quais chamava de co-terapeutas.
Como reconhecimento da importância de sua obra, Nise da Silveira recebeu condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento: saúde, educação, arte e literatura. Foi membro fundador da Sociedade Internacional de Psicopatologia da Expressão, com sede em Paris, França. Seu trabalho e seus princípios inspiraram a criação de Museus, Centros Culturais e Instituições Psiquiátricas no Brasil e no exterior.

Ela foi a introdutora, por meio do seu trabalho, da psicologia junguiana no Brasil. Também foi pioneira na pesquisa das relações afetivas entre pacientes e animais. Em 1956, com um grupo de pessoas motivadas pelas mesmas idéias, criou no Rio de Janeiro a Casa das Palmeiras, uma clínica destinada ao tratamento de egressos de instituições psiquiátricas, onde atividades expressivas são realizadas livremente, em regime de externato. Lá, enfrentando a ira de seus adversários, ela elegeu cães e gatos como co-terapeutas. ‘'O animal nunca provoca frustrações, dá incondicional afeto, traz alegria ao frio ambiente hospitalar”, disse.

Em 46 anos de trabalho mandou a maior parte de seus pacientes de volta pra casa, curados. Cães e gatos, chamados pela Dra. Nise de "co-terapeutas", faziam companhia a pessoas antes trancadas em si mesmas e que pouco a pouco tornavam a olhar o mundo lá fora. É que o amor silencioso dos bichos abre portas.

Escreveu 6 livros, e o último deles foi dedicado aos gatos. Revolucionou a psiquiatria com sua nova abordagem do tratamento da esquizofrenia e nunca se filiou a nenhuma instituição psiquiátrica. Dizia que é melhor ser um lobo magro e solto a um cachorro gordo na coleira

Nise faleceu em 30 de outubro de 1999, na cidade do Rio de Janeiro.

Trecho do livro Gatos, A Emoção de Lidar , da psiquiatra NiSE DA SiLVEiRA

Entre 1946-1974 dirigi a seção de terapêutica ocupacional no Centro Psiquiátrico Pedro II. Optei por utilizar como método a terapia ocupacional, método considerado de importância menor e até mesmo subalterno. Contudo, minha intenção era reformá-lo completamente. [...] Para nós faltava-lhe algo, faltava-lhe emoção.

Foi quando certo dia um rapaz freqüentador da Terapia Ocupacional, em vez de entrar numa das salas de trabalhos masculinos preferiu entrar na sala de atividades femininas atraído pelas qualidades latentes que pressentia existirem num pedaço de veludo estendido sobre a mesa da sala. Dirigiu-se à monitora Maria Abdo e perguntou: 'Posso com este pano fazer um gato?' [...] Completado o gato, Luis Carlos tomou um lápis e escreveu: 'Gato simplesmente angorá do mato / Azul olhos nariz cinza / Gato marrom
Orelha castanho macho / Agora rapidez / Emoção de lidar' Enquanto manipulava seu gato de veludo, com surpreendente habilidade, Luis Carlos parecia feliz e disse: 'Como é macio! Sinto grande emoção de lidar com ele entre minhas mãos'. Essa expressão Emoção de Lidar foi ponto de partida para substituirmos o pesado título Terapêutica Ocupacional.

Fontes: http://www.bndes.gov.br/cultura/espaco/galeria_inconsciente2.asp -
Mar do Inconsciente, A Imagem Como Linguagem
http://olivrodosgatos.ifrance.com/nise2.htm -
Trecho do livro Gatos, A Emoção de Lidar, da psiquiatra NiSE DA SiLVEiRA

http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br

 

Voltar para o topo
Fechar
Download Texto