O CAVALO
Símbolo complexo e ambivalente, para Eliade é animal etonico funerário, para Stienon é símbolo do movimento cíclico da vida, o certo é que na memória de todos os povos se associa as trevas do mundo etonico do qual emerge, sendo portador de vida ou morte. O analista vê no cavalo o símbolo do psiquismo inconsciente ou a mente não animal, memória do mundo e do tempo, de cor branco representaria o instinto dominado, controlado.
Na Ásia Central se conserva na tradição e na literatura a imagem do cavalo etonico, cujos poderes raros suprem aos do homem, ali onde estes os detêm, no umbral da morte.
Mit. Grega , Aquiles sacrifica quatro éguas na pira mortuária de seu amigo Patroclo para que lhe conduzam pelo reino de Hades.
No entorno de Dionisos abundam as figuras hipomorficas. Pegaso é o cavalo celeste portador do raio de Zeus.
Na china, dos antigos ritos de iniciação da adolescência aos neófitos se chamava potros, o cavalo instrui ao homem , o instinto aclara a mente.
No oriente, tanto nos textos búdicos como nos hindús, os cavalos são sobretudo símbolo dos sentidos enganchados ao carro do espírito, que o leva de cá para lá, a não ser que o guia (a consciência) dirija sua marcha.
A iniciação cavaleresca ocidental medieval, registra analogias com o símbolo do cavalo, seu arquétipo é a luta de Beleorofonte montado em Pegaso contra a quimera.
Em seu aspecto negativo os cavalos são considerados uma kratofania da morte, uma manifestação da morte como o seriam a foice ou o esqueleto, são abundantes neste sentido as aparições na literatura e cultura ocidentais: Demeter de Arcádia se representa com cabeça de cavalo, era a executora da justiça infernal. As harpias como mulheres pássaro e éguas ,uma delas é a mãe dos cavalos de Aquiles.
No livro dos sonhos de Artemidoro se um enfermo sonha com um cavalo é presságio de morte.
Assim na Inglaterra e Alemanha se pensava da mesma maneira.
Em resumo, a referência ao símbolo do cavalo em todas as culturas do mundo, faz pensar que o cavalo constitui um dos arquétipos fundamentais que a humanidade já inscreveu em sua memória.
Representa o poder ascensional das forças naturais, a capacidade inata de espiritualização, de transformação do mal em bem.
CACHORRO
Emblema da fidelidade em todas as culturas, associado à morte, aos "mundos inferiores", é um animal lunar. São cachorros famosos Annubis, Cerbero, Xolotl, Garm, etc.
Um primeiro sentido seria, como ocorre com o cavalo, de psicopompo, de guia do homem na obscuridade da morte.
No Egito, seus antigos habitantes o consideravam com poderes para destruir os inimigos da luz, eram colocados nas entradas dos templos.
Xolotl, cachorro-deus azteca acompanhava o sol em sua viagem abaixo da terra, os mexicanos criavam cachorros cor leão (sol) para serem enterrados ao lado dos defuntos.
Na África, na maioria dos ritos de adivinhação , os cachorros estão presentes, pois são intercessores entre este mundo e o outro e podem interrogar aos mortos. Há registros similares entre os teleute, da Sibéria.
Em toda América , de norte a sul, se registram ritos e tradições culturais em que o cachorro desempenha um papel preponderante.
Para os celtas comparar um herói com um cachorro era honrar-lhe, pois seu herói mítico Cuchulainn, era o cachorro de Culann.
Para a tradição islâmica, os cachorros são o mais vil da criação.
No Extremo Oriente, o símbolo do cachorro adquire uma ambivalência mais marcada que em outras partes.
Poderia dizer-se que o cachorro corresponde a um símbolo de aspectos antagônicos, entre os quais nem todas as culturas estão de acordo.
E para terminar, citaríamos ao cão mais famoso do ocidente: Cérbero, cachorro de três cabeças e pescoço eriçado de serpentes, que cuida do palácio de Plutón da laguna Estigia
GATO
Se observarmos detidamente este animal veríamos que seu simbolismo é quase dedutível por motivos relativos a sua conduta sarcástica e também por sua ambivalência entre o bem e o mal.
Na Índia, estátuas de gatos ascetas representam a bem-aventurança do mundo animal. Ao mundo budista, o gato e a serpente não desfrutam de grande simpatia pois foram os únicos animais que não choraram a morte de Buda. De qualquer maneira, precisamente por isto, dão mostras de uma inteligência superior. Assim também a Cabala considera o gato e a serpente como representação do pecado, o abuso dos bem do mundo.
No Egito, a deusa Bastet, protetora do homem, do casamento, simboliza também a arte e habilidade do felino que a deusa põe a serviço do homem, para que lhe ajude em sua constante luta contra os perigos da existência.
No Islã, seu símbolo é favorável, salvo se sua cor é o negro. Nesta tradição conta a lenda, que, estando doentes os viajantes da Arca de Noé - graças aos ratos, se queixaram a este, então Noé arranhou a frente de um leão provocando-lhe espirros dos quais saiu um casal de gatos.
GOLFINHOS
Alegoria da salvação, ligado ao símbolo da água e da transfiguração. São múltiplas e variadas as referências ao caráter salvador do golfinho: na mitologia greg a
Se representa ao lado de Apolo, no templo de Delfos. O mesmo Apolo, conforme o canto homérico, se transforma em golfinho para chegar as costas de Crisa.
Eram honrados como deuses pelos antigos cretenses, os quais estavam convencidos que transportavam os defuntos em seus lombos até sua morada, no fim do mundo.
Plutarco, no Banquete dos Sete Sábios, relata como Arion é salvo pelos golfinhos depois de jogar-se na água para evitar ser assassinado por seus marinheiros. Semelhante é a lenda que conta como Dionisos, em sua viagem a ilha de Naxos , é raptado pelos marinheiros com o fim de vender-lhe como escravo na Ásia. Quando se apercebe disso, Dionisos transforma os remos do barco em serpentes ,faz colidir flautas invisíveis e a hera detém o barco. Os marinhos enlouquecem e se lançam ao mar, convertendo-se em golfinhos. Esta e outras lendas similares têm dado lugar à convicção popular que os golfinhos são piratas arrependidos que se dedicam em salvar aos homens em toda costa marítima.
Fonte: http://www.isabelsalama.com/Simbología%20animal.htm
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